Adaptabilidade: a mudança dos professores e família na pandemiaLeitura de 4 minutos

Tendências em educação 13 de julho de 2020
Adaptabilidade de professora colocando uma máscara em aluna

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Adaptabilidade: a mudança dos professores e família na pandemiaLeitura de 4 minutos

Jones Brandão – Diretor de Educação da Agenda Edu


Sobrecarrega dos professores, demandas de capacitação, pressões emocionais e adaptabilidade são questões inquietantes e que precisam ser articuladas pelos gestores escolares. Do contrário, o negócio escola será bastante prejudicado.


Ao mesmo tempo, professores (e outras tantas profissões) terão que ressignificar seu modo de trabalho. Isso passa por novas habilidades e a percepção de um novo tempo que não é passageiro.


No primeiro momento essa adaptação pode parecer mais trabalho, mas no final isso vai significar a passagem de um estado para outro. Uma metamorfose.


O olhar com que percebemos o contexto (e o futuro) é o que vai gerar em nós angústia ou entusiasmo.


Adaptabilidade é a palavra de ordem


Lembro agora daquele antigo receio, quando assistíamos filmes de ficção, de que seríamos substituídos por robôs com inteligência artificial. Acredito que já se provou uma verdade: nada disso vai substituir o professor, mas tem algo (ou melhor, alguém) que vai substituí-lo (se ele não se ligar): outro professor que se lançou intencionalmente na metamorfose, que se adaptou, que flexibilizou.


Como os professores podem aproveitar melhor o período de quarentena?


Adaptabilidade é a palavra de ordem. Não no sentido piegas, mas em um sentido abrangente, humano e estratégico. Isso me lembra a música “Rapte-me, Camaleoa” do Caetano:


Rapte-me

Adapte-me

Capte-me“.


Ilustração do guia de volta às aulas com botão pata baixar agora

Desistir ou insistir? 


Uma reflexão sobre alguns movimentos de pais e responsáveis que defendem o cancelamento do ano letivo por não perceberem valor no que a escola está fazendo remotamente.  


Como pai de duas crianças, entendo e vivo as dificuldades e angústias vividas pelas famílias durante o período de escola remota. Não há como fechar os olhos e negar tal realidade, seus desafios e descobertas. 


Como educador, gostaria de lançar algumas reflexões e considerações: 


  • Uma boa parte das fragilidades da escola que estamos vendo agora, existem há muito tempo; 
  • O papel participativo da família no processo de aprendizagem dos filhos vem sendo negligenciado há muito tempo (existem exceções, claro); 
  • A falta de intencionalidade histórica no desenvolvimento de autonomia dos alunos/filhos está nos custando muito agora; 
  • A ressignificação do papel do professor é algo discutido há muito tempo; 
  • O volume de conteúdo existente em nosso currículo escolar é criticado há muito tempo e o advento da BNCC busca superar isso transferindo o foco de conteúdo para habilidades; 
  • Há muito tempo se busca a introdução e utilização de ferramentas digitais no cotidiano da escola visando o desenvolvimento da cultura digital.

Escola, professor, família, alunos, currículo, digital…


Faço tais considerações para evidenciar que, mesmo considerando a tragédia que vivemos, estamos diante de uma oportunidade de finalmente produzir as mudanças necessárias para termos uma educação humanizada.


Uma educação focada na interação aluno-professor e com o objetivo de desenvolvimento de um ser integral e autônomo capaz de fazer muito mais que prova e passar em concurso.


5 dicas de comunicação para escola e família na quarentena


O que podemos fazer?


Toda essa volta é para dar contexto ao que proponho agora: que tal se no lugar de desistir da participação do filho nas aulas remotas ou de desistir do ano letivo, como pais, chamássemos a escola para:


  • Conversar sobre possibilidades;
  • Pedir uma nova proposta (não somente para esse momento do agora) que respeite e inclua as diferentes formas de aprendizagem; 
  • Nos permitir, como pais e parceiros da escola, contribui ativamente para ressignificar a ideia de escola que temos hoje;
  • Toparmos tentar novas possibilidades e deixarmos de acreditar que escola boa é a que ensina muito conteúdo, que passa tarefa de casa, que ocupa o aluno e que tem muitos outdoors de aprovação pela cidade.

Como pais e responsáveis, não é o momento de desistirmos, mas de também trabalharmos a adaptabilidade e insistirmos com o objetivo de produzirmos as mudanças tão necessárias no jeito de pensar e fazer escola, para que ela seja relevante e atraente para o aluno do agora e do novo mundo que se apresenta. 


O modelo de escola que nossos filhos precisam, o modelo de escola que vai empoderar nossos filhos a partir de suas potencialidades, curiosidades e interesses, vai surgir quando não só questionarmos, mas tivermos coragem para romper com o que está posto. 


Vamos juntos! 


         
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