Aconteceu na Jornada Edu online: entrevista com Helena SingerLeitura de 5 minutos

Práticas pedagógicas 14 de junho de 2021
Imagem da Jornada Edu online com Emilly Fidelix e Helena Singer

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Aconteceu na Jornada Edu online: entrevista com Helena SingerLeitura de 5 minutos

Enquanto nos preparamos para a próxima estação da Jornada Edu online, relembramos o que aconteceu na edição passada. Um dos destaques do evento foi a entrevista com Helena Singer sobre educação integral


A conversa foi conduzida pela Emilly Fidelix, criadora do Se liga, prof! e parceira da Jornada Edu, no fechamento da trilha de Gente & Gestão e também da primeira edição do evento no ano. 


Se você não conseguiu acompanhar, não se preocupe! O evento está disponível na íntegra e separamos os melhores momentos:



Você também pode conferir alguns dos highlights e anotar as dicas:


O que é educação integral?


Antes de tudo, precisamos entender que educação integral não é a mesma coisa que uma escola de tempo integral, ou seja, que funciona com aulas dos turnos da manhã e tarde. Segundo Helena Singer, esse é um equívoco comum. 


“A educação integral é uma perspectiva, um conceito, uma visão que parte de um pressuposto de que a educação é o que precisa formar os jovens, todas as pessoas, em todas as dimensões da experiência humana, não só a intelectual ou acadêmica, mas também do ponto de vista físico, emocional, político, social, espiritual.”


Então, uma só instituição não é capaz de fazer isso, já que a educação acontece em todas as instituições nas quais a gente participa, como também nas relações que fazemos parte.


Para entender melhor como funciona essa perspectiva, Helena explica que é preciso ver a integralidade no processo de desenvolvimento e a integralidade das conexões que a sociedade precisa fazer para que as pessoas possam se desenvolver em todas as dimensões. 


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“A escola é um lugar muito central, ela não dá conta de tudo, mas tem que reconhecer todas as dimensões e facilitar o percurso de aprendizagem dos estudantes para que se tornem os cidadãos que a gente precisa”, explica Helena.


A educação integral em tempos de pandemia


Ao ser questionada sobre o retorno da educação ao que era antes, Helena Singer é firme ao afirmar que seguramente não retornaremos mais. Pelo menos, não da maneira como imaginamos. 


“Para onde a gente vai, vai depender de como a gente se apropria do processo. A gente aprende em todos os lugares, em todas as instituições e com as nossas experiências, interações e relações. Nós estamos aprendendo muito durante essa tragédia que estamos vivendo, coletivamente como sociedade.”


Outro ponto de atenção é que cada um dos grupos envolvidos na educação está aprendendo coisas específicas muito importantes, a começar pelos professores. Segundo a educadora, eles tiveram uma curva de aprendizagem em relação ao uso das novas tecnologias digitais para o pedagógico que nunca tinha acontecido e foi em uma velocidade muito grande. 


“Os professores não receberam o apoio necessário para dar conta do que seria o ensino remoto, porque não tinham formação para isso. As escolas e as Secretarias de Educação não forneceram os equipamentos nem para eles, nem para os estudantes na velocidade necessária. Eles correram atrás e esse foi um processo coletivo muito bonito, a gente viu essa energia, muito stress, dificuldade, profissionais extremamente sobrecarregados e pressionados, mas correndo atrás, aprendendo e descobrindo muitas outras possibilidades”, diz Helena.


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Como desenvolver habilidades 


Ao falar sobre a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Helena acredita que apesar do documento ser favorável à educação integral, os conteúdos e componentes curriculares ainda são muito disciplinares e seriados. 


“Ainda temos pouca densidade, compreensão do que são habilidades, competências, de como os conteúdos curriculares estão a serviço do desenvolvimento de habilidades e não o contrário. Isso tem a ver com o tipo de metodologias que você adota. Não adianta falar: ‘eu vou trabalhar as habilidades, mas vou continuar com as aulas expositivas’, porque elas não favorecem o desenvolvimento de habilidades a não ser escutar, memorizar, registrar, e não são essas que hoje em dia se propõe que sejam fundamentais.”


Por isso, a grande dica da educadora é que o professor sempre revise sua metodologia, que é também muito além de uma aula participativa com os estudantes respondendo perguntas, mas de fato pensar em como colocar os alunos no comando do processo. 


Isso não quer dizer que os estudantes vão ocupar o lugar do professor, mas sim estar no centro no processo dele próprio, definindo o projeto que mais o interessa, se organizando coletivamente, se sensibilizando em relação às questões das matérias e aprendendo o que se espera que ele aprenda. 


“O encargo de fazer um estudantes aprender uma habilidade tem que ser mais compartilhado entre o professor e o estudante”, explica Helena. 


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Sobre Helena Singer


Socióloga, com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Educação. Vice-presidente para a Juventude da Ashoka América Latina e membro do Conselho Municipal de Educação de São Paulo. Foi assessora especial do Ministério da Educação (2015). 


Helena Singer é autora de “República de Crianças: sobre experiências escolares de resistência“, entre outros livros e artigos publicados no Brasil e no exterior na área de Sociologia, com ênfase em Direitos Humanos, democracia e educação.


         
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