Brincando de aprender

Crianças aprendem brincando
Leitura de 4 minutos
Por Marcelo Freitas –  Mentor em inovação educacional; Especialista em Gestão Estratégica e Capital Humano; CEO em EdTechs, escritor e palestrante.

 

Sou capaz de apostar que muita gente já ouviu a expressão “brincando também se aprende”. Se antigamente – leia-se no século passado – ela era usada para identificar atividades como jogar bola, brincar de boneca ou encarar uma partida no futebol de botão, em tempos de tecnologia em alta a expressão, via de regra, nos remete ao ambiente virtual. Com jogos cada vez mais realistas, e contando com recursos de realidade aumentada, games em ambientes online já não proporcionam a nossas crianças brincar como antigamente. Como dizem, a fila andou.

 

Se o esforço físico perdeu espaço, os estímulos intelectuais foram às alturas, e exigem cada vez mais rapidez de raciocínio e decisões instantâneas. Isso tem o seu lado positivo, sem dúvida. Mas essa dinâmica, por outro lado, também fez minguar a possibilidade de aquisição de outras competências e valores que só o contato pessoal pode oferecer com maestria.

 

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A consequência disso é que a ética, solidariedade e relacionamento afetivo, por exemplo, foram se diluindo e acabaram por impactar as relações no mundo do trabalho. Talvez as empresas tenham sido as primeiras a sentir essa carência de formação dos nossos jovens. Os escritórios, como laboratórios de relações humanas, trataram de expor os sintomas da doença. As áreas de gestão de pessoas logo detectaram a necessidade de humanizar mais as relações, e sinalizaram ao setor educacional a carência no desenvolvimento de competências socioemocionais dos jovens profissionais.

 

A resposta veio a partir de novas iniciativas e metodologias que vão colocando em cheque as antigas práticas. Fazendo da tecnologia uma aliada, jovens empreendedores estão mostrando que também é possível contornar o problema no mundo virtual, criando novidades para suprir este viés de formação. E nesse aspecto não há melhor laboratório que a Educação Infantil

 

Tendo como base os projetos pedagógicos das escolas, as práticas dos professores e o relacionamento entre as escolas e famílias, startups começaram a levantar as “dores” do mercado. Buscaram entender os fundamentos das práticas pedagógicas. Observaram o que era feito dentro das salas de aula: Como os professores davam suas aulas; como organizavam o espaço e os materiais; como tratavam as crianças e como era organizada a sua rotina. Ao mesmo tempo, pesquisaram também os aspectos gerenciais que envolvem o dia a dia da escola e seu relacionamento com os diversos públicos.

 

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Descobertas

 

Uma das descobertas é que as crianças interagem o tempo todo com os colegas nas brincadeiras de faz de conta e na produção de material como pinturas, desenhos, maquetes e até livrinhos de história. Outra constatação é que nas salas onde os professores focam seu trabalho nessas interações, com atividades lúdicas e produções artísticas, as crianças são mais tranquilas, felizes, ativas, curiosas e atentas.

 

É fácil concluir, portanto, que todo esse movimento é um canteiro fértil para a construção de valores, habilidades e competências socioemocionais. É justamente nesse momento da infância, de abertura ao novo, às novas experiências e ao convívio social que as sementes da cidadania devem ser plantadas.

 

Avançando um pouco mais, descobriu-se que esse ambiente pode também ser híbrido, visando atender as necessidades e curiosidades das crianças como também o envolvimento das famílias. Pois é mexendo, pegando, sentindo, interagindo, experimentando seus materiais que as crianças desenvolvem habilidades cognitivas. E é no convívio, tanto presencial quanto virtual, que também podem desenvolver valores como a solidariedade e a cidadania. E nesse ambiente híbrido certamente existe lugar para o engajamento das famílias, tornando-as mais próximas da escola e do processo educativo.

 

As mudanças

 

Agora, talvez até mais que antes, aprender brincando faz parte do processo. Aprender valores, mais ainda, conforme prega inclusive a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação infantil. E é com esse pensamento que startups como a ArtKids e a Kriativar estão contribuindo para a Educação. É hora de organizar novos contextos e a oportunidade de aprender brincando.

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