Uma escola irresistível começa com um bom relacionamentoLeitura de 6 minutos

Acontece na escola Tendências em educação 19 de junho de 2019
diversidade de pessoas dando as mãos em comemoração

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Uma escola irresistível começa com um bom relacionamentoLeitura de 6 minutos

“Um bom relacionamento escolar é essencial para os resultados das escolas. A grande dica é focar nas pessoas, entender como e porque escolhemos educar”. Jones Brandão, nos dá dicas de como manter um bom relacionamento escolar e apresenta os mitos que podem interferir no processo dos educadores. Confira!

Se você recebesse a incumbência de iniciar ou reorganizar uma escola e junto com essa responsabilidade fosse lhe dado a garantia de que não faltaria recursos e liberdade para fazer o que você desejasse, como seria essa sua escola dos sonhos? O que você acredita que deva existir na escola para ela ser irresistível? Alguma vez você já compartilhou com outra pessoa esse sonho? E, ao compartilhar, você sentiu indiferença dessa pessoa?
Alguma vez sentiu que estava sozinho nesse sonho?

Acredito que se um educador tem um sonho e se vê sozinho, ele está no começo de uma jornada, mas se um educador tem um sonho e permanece sozinho, ele precisa rever o sonho ou sua capacidade de comunicá-lo.

O grande diferencial de um educador é enxergar situações e pessoas não somente em termos do que são, mas do que podem vir a ser. Para realizar o seu sonho, você precisa escolher por onde começar. Por onde começaria? Pelo prédio, processos, programas, compras, parquinho, material didático ou equipamentos tecnológicos? Todas essas coisas são preciosas e necessárias, mas são apenas meio.

Quando tornamos essas coisas em fim, passamos por cima do essencial. E o essencial são as pessoas.

As pessoas como foco no relacionamento escolar

O mais importante não é o que fazemos na escola, mas o que fazemos como escola para influenciar pessoas. Portanto precisamos começar qualquer empreendimento educacional com foco nas pessoas. Uma escola deve focar na sua comunidade e não apenas nos seus processos. E, como educadores, apaixonados, temos o desafio de promover uma revolução na educação ao olhar de forma integral cada aluno.

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Muitos estão certos que as pessoas aprendem mais porque estiveram mais presentes na escola ou mais atentas nas aulas. Esse é um tipo de olhar que prioriza os formatos e não as pessoas com seus jeitos e personalidades.

Qual o poder nas coisas que fazemos na escola para garantir aprendizagem de um aluno? Existe um forte risco de que todas as nossas atividades de escola torne as pessoas dependentes de aula, de revisão, de prova como forma de reter conhecimento, ou seja, a aprendizagem tem um objetivo restrito ao fazer a prova, sem aplicação real fora da escola.

Precisamos desenvolver alunos autônomos e interdependentes, mas isso requer mais tempo, dedicação e quebra da hegemonia da aula e da prova. É como nos propõe o grande educador José Pacheco: “A escola precisa parar de dar aulas”. Ele não deseja com isso, anular todas as aulas, mas ressignificar todo o processo de forma a dar voz ao aluno e um novo lugar de “fala” ao professor.

Na escola, existe um risco de nos tornarmos dependentes de currículos, conteúdos, grades de horários, semana de prova, ranking, etc. Como educadores, apropriados da missão de educar integralmente, não vamos olhar para os alunos através do currículo, mas para o currículo através do aluno. Assim, seremos sensíveis às demandas daquele aluno, não tratando os estudantes no atacado.

Mitos que podem interferir no relacionamento escolar

Somos professores de alunos e não de turmas. A educação vivida no atacado é menos trabalhosa que a vivida no varejo, é verdade. E talvez por isso a prática é mais comum. Alguns acham mais simples o atacado, eu diria que é simplório, pois anula a diversidade que existe em uma sala de aula. Anula as possibilidades que existe na história e na criatividade presente em cada aluno, em cada encontro, em cada projeto.

Simples é dedicar menos esforço em garantir o ensino do conteúdo programado e mais esforço em desenvolver competências nos alunos. É simples porque assim é orgânico e natural. Para isso quero sugerir quebrarmos alguns mitos, fugirmos de alguns perigos (armadilhas) que interferem direta e indiretamente no cumprimento da nossa missão de educar para a transformação.

Mitos: 
1 – mito da existência;
2 – mito da presença;
3 – mito da qualidade.

1 – Mito da existência:

A escola não existe para…
… conveniência dos pais que terceirizam a educação;
… transmitir conteúdos sem significado;
… treinar o aluno a responder certo;
… assumir, sozinha, a responsabilidade pela educação do aluno.

Muitas vezes as equipes que trabalham nas escolas, focalizam tanto na tarefa que esquece porque estão ali. Vamos quebrar o mito da existência? A escola existe para ser esperança nesse país. Essa existência é potencializada através do se importar com cada ser único e sua forma de aprender.

 2 – Mito da presença:

Se o aluno está presente enquanto o professor ensina, então tá garantido que ele aprendeu. Isso é semelhante a acreditar que o vendedor vendeu, mas ninguém comprou. Ora, se ninguém comprou, logo ninguém vendeu. Assim também, se não houve aprendizado, então não houve ensino. Ser educador é algo mais do que transmitir conhecimento. Como educadores, precisamos focar no processo de aprendizagem e não da “ensinagem”.

Não queremos apenas que os alunos estejam presentes, mas que eles estejam engajados no processo de aprendizagem e em todos os movimentos da escola. Aluno engajado é aluno que tem voz, espaço, protagonismo e permissão para errar. Escola que engaja é escola que empodera, não dita a verdade, inclui, celebra a diversidade e produz coletivamente conhecimento.

3 – Mito da qualidade:

Alguns pensam: ”Qualquer coisa tá bom pra criança”. A simplicidade da criança, e a empolgação com o que ela vivencia momentos e atividades, não pode ser desculpa para a falta de excelência. Por despreparo ou mesmo preguiça, muitos realizam uma educação infantil acreditando que qualquer coisa para criança tá bom.

Esse mito perpetua a negligência e fortalece a realização do trabalho de forma relaxada. Não esconda o melhor que você pode dar. Faço tudo de todo o seu coração, mas fuja do perfeccionismo. Podemos nos apegar tanto nos detalhes que deixamos de lado o que realmente vai ficar e transformar. Algumas vezes vale o “melhor feito do que perfeito”. Precisamos ser excelentes, mas a busca pela perfeição nos torna insensíveis aos relacionamentos porque nos tornamos intolerantes. Somos educadores por causa de pessoas. Nunca esqueça disso!

Uma escola irresistível se faz com pessoas irresistíveis. Segundo o dicionário, irresistível significa: “A que não se consegue resistir por ser sedutor ou encantador.

Vamos continuar a buscar pelas melhorias na estrutura, no material, na rotina, na estética, no plano, na didática…  Mas nada disso substitui o foco nas pessoas. Aliás, tudo isso é por causa das pessoas. Como educadores, podemos fazer muito e nos distanciar da nossa essência: conduzir pessoas. Isso requer relacionamento.

Relacione-se!
Seja irresistível!

Jones Brandão
Head de Educação da Agenda Edu
2 comentários
  1. lilyanne leitão

    Adoro ler/ouvir o Jones Brandão. Nem tenho palavras pra dizer o quanto admiro sua visão sobre educação e o seu modo de transmitir conhecimento pra gente. Só agradecer!

    • Agenda Edu

      Oi, Lilyanne! Estamos muito felizes que você esteja gostando dos conteúdos do Jones, é realmente admirável a forma que ele compartilha seus conhecimentos. Aproveita e se inscreve em nosso próximo webinar, o Jones vai falar sobre o papel do professor no desenvolvimento social e emocional do aluno, é só clicar nesse link -> http://bit.ly/2MdqfCR Ah, e não deixar de acompanhar nosso blog! 😉 Forte abraço! 💜

         
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