A importância do fator humano nas inovações da escola

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Todo início de ano é comum refletirmos sobre quais serão as mudanças e inovações necessárias, afinal, são novos caminhos, novos desafios, novos desejos, uma nova jornada.

 

Mas o que você espera de 2019? Quais as metas e planos para sua escola? No primeiro artigo do ano, trouxemos nosso amigo e parceiro, Marcelo Freitas, mostrando sua visão sobre as mudanças e inovações propostas pelas escolas, mas sem esquecer o principal fator que acompanha essas novidades: o lado humano. Confira agora!

 

Toda virada de ano é comum a gente ouvir coisas do tipo “esse ano vai ser diferente”, não é verdade? Sempre vai aparecer aquele entusiasmo trazido pela expectativa de um novo momento. Muitas vezes, elas soam como aquelas promessas de começar o regime na segunda-feira que vem. E o que realmente acontece quando chegamos no início de ano? Na maioria das vezes, aquela promessa ou objetivo, ficou apenas na boa intenção. 

 

Em grande parte das escolas, mudanças e novidades são pensadas e até mesmo anunciadas, ao final de cada ano com vistas a aumentar a captação de novos alunos ou manter aqueles que já estão na escola. Mas ao começar as aulas, o que acontece de verdade? 

 

Falta de oportunidade para concretizar a promessa? Não, não é. O mercado educacional vem apresentando nos últimos anos uma gama de aplicativos, plataformas, metodologias e práticas que deixam qualquer gestor à vontade para escolher. O que acontece, porém, é que na maioria das vezes, depois de escolhidas as novidades, percebe-se que o principal fator de inovação e mudanças foi esquecido, ou deixado de lado: o fator humano.

 

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Nas minhas diversas andanças por aí, seja conduzindo workshops de desenvolvimento de educadores para as escolas ou programas de mentoria e consultoria para os seus gestores, tenho enfatizado que o ponto de partida, antes de se propor qualquer novidade, seja promover uma avaliação da equipe, de modo a identificar o quanto estão em sintonia com a mudança. 

 

Listei algumas perguntas que podem te ajudar a entender melhor sua equipe. Confira! 
  
 👉 Qual é o perfil do pessoal?
 👉 Quantos estão dispostos a sair das suas zonas de conforto?
 👉 Quais deles serão capazes de lidar com a frustração e o erro?
 👉 Qual a capacidade de adaptação a um novo perfil profissional pretendido pela instituição?

 

Mudando o mindset

 

Muito se ouvi falar sobre mindset, mas você sabe o que significa? Em linhas gerais, mindset é o conjunto de atitudes mentais que influencia diretamente nos nossos comportamentos e pensamentos.

 

Com isso, o tempo tem demonstrado que a grande maioria das mudanças não dá certo em virtude de questões relacionadas com o fator humano. É lá que o “bicho pega”. De nada adianta a escola empenhar grandes recursos em tecnologia, equipamentos e instalações se não faz o mesmo com a seleção e a capacitação de seu pessoal. Dificilmente verá resultados se insistir em manter em seus quadros profissionais que já não respondem a desafios, estagnados em suas carreiras e contando tempo para se aposentar. 

 

As instituições necessitam de pessoas ativas e criativas, capazes de se reinventar o tempo todo e surpreender alunos antenados e conectados. Nessa perspectiva, o caminho que se mostra, então, é gerenciar continuamente o mindset dos colaboradores e, ao mesmo tempo, ajustar as ferramentas de gestão de pessoas para que possam respaldar os comportamentos almejados.

 

Um exemplo: De que adianta incentivar a inovação se as avaliações de desempenho “punem” os profissionais que erram por se arriscar a tentar algo novo? Ou estimular a política de mérito, se o plano de remuneração prevê progressões apenas por tempo de serviço? Ora, que sinais a instituição está mandando? A resposta é simples: Não vale a pena arriscar. Faça algo diferente, mas continue ganhando o mesmo daqueles que nada criam. Percebeu?
 

Fazendo acontecer o novo

 

Para ser coerente com a expectativa de “ano novo, vida nova” é importante, portanto, que os gestores educacionais e seus colaboradores adotem novas posturas, práticas e ferramentas. Treinamentos, boas políticas de gestão de pessoas e incentivos devem ser concebidos para suportar os processos e a tão esperada “vida nova”. Apenas a título de exemplo do que pode ser feito pelos gestores, sugerimos oferecer oficinas de criatividade para professores e gestores, bem ao estilo “mão na massa”. Outra iniciativa é propor metas desafiadoras ajustando os sistemas e as políticas de recursos humanos para estimular a criatividade e proporcionar recompensas àqueles que se destacarem.  

 

Essas são apenas algumas iniciativas que podem ser desenvolvidas pelos gestores educacionais nas suas instituições. Os resultados geralmente são bacanas e certamente as escolas sempre dispõem de pessoas dispostas a compartilhar com os colegas as experiências inovadoras. 

 

Portanto, se você pretende começar 2019 com todo o entusiasmo e a energia que o ambiente escolar proporciona, pense nas diversas possibilidades de inovar, mas não se esqueça do mais importante: as pessoas. São elas que farão, ou não, o ano novo ter vida nova.  
 

Sobre o autor: Marcelo Freitas é mentor em inovação educacional; Especialista em Gestão Estratégica e Capital Humano; CEO em EdTechs, escritor e palestrante.

 

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