Educação Inclusiva: o que a escola pode fazer a respeito?Leitura de 5 minutos

Práticas pedagógicas 11 de outubro de 2019

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Educação Inclusiva: o que a escola pode fazer a respeito?Leitura de 5 minutos

O modelo da escola inclusiva propõe uma educação de qualidade para todos os alunos e vai além de inserir as pessoas com deficiência em um ambiente de ensino.

 

A educação é um dos direitos mais importantes concedidos a população. É através dela que nos desenvolvemos como pessoas e como sociedade. De acordo com a constituição, ela é o primeiro direito social garantido pelo Estado e deve estar disponível a todos, independente de cor, sexo, raça ou qualquer outra condição.

 

Ela está relacionada ao desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.

 

Isso significa que as metodologias, espaços e materiais devem ser capazes de atender a todos, e não serem elaborados separadamente para as pessoas com deficiência. Como o próprio nome propõe, elas precisam fazer parte de um todo, mas infelizmente não é bem assim que funciona na prática. 

 

Em 2014, ano do último Censo Escolar, apenas 2% do total de pessoas com deficiência no Brasil estavam inscritas no sistema educacional. Se considerarmos que 25% da população brasileira está matriculada em alguma instituição de ensino, podemos perceber que a educação não é inclusiva e nem chega a todos os brasileiros da forma como deveria.

 

O cenário está longe do ideal, mas existem bons exemplos de escolas que entenderam seu papel e estão fazendo a diferença. Para isso, é preciso ter em mente que a educação inclusiva nada mais é do que uma educação voltada para a cidadania global, plena, livre de preconceitos, que respeita e valoriza a diversidade.

 

Entendendo um pouco sobre a educação inclusiva

 

Existem muitas Leis, Decretos e Portarias que falam sobre os requisitos para a educação inclusiva no Brasil. Destacamos os três mais importantes que toda instituição deve conhecer: a Portaria 3.284/2003, a Norma Brasileira ABNT 9050 e a Lei Brasileira de Inclusão 13.146/2015.  

 

A portaria 3.284/03 é composta por quatro artigos que explicam detalhadamente o que precisa ser feito e condições necessárias de acessibilidade em todas as fases do ensino. Já a Norma Brasil ABNT 9050 é totalmente voltada para as adaptações físicas, mostrando tudo o que deve ser realizado para que a estrutura da instituição fique acessível.  

 

A Lei Brasileira de Inclusão é mais abrangente, e trata de diferentes áreas da vida das pessoas com deficiência. Ela possui um capítulo inteiro voltado à educação, que orienta as instituições de ensino sobre as possíveis medidas que devem ser tomadas em relação a educação inclusiva. As ações vão desde atualização na grade curricular até a capacitação de profissionais que atuarão nesse contexto.

 

Mas como aplicar a educação inclusiva?
 

Legal! Depois de entender a parte teórica é preciso botar a mão na massa e por onde começar? 

 

1. Planejamento é a base de tudo!
 

Pense com sua equipe quais são os passos que precisam ser dados e determine prazos para finalizá-los. Com base nas leis e regulamentações, crie um checklist para executar e acompanhar cada etapa do processo.

 

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Elabore campanhas que envolvam pessoas com deficiência e conheça melhor esse universo. Existe um lema muito usado por elas que diz: “nada sobre nós, sem nós”, como uma forma de afirmar que nenhuma decisão que as afete deve ser tomada sem sua participação. O que é um fato!

 

Como é possível fazer algo em benefício do outro sem o envolver ou saber o que ele realmente precisa? Quando temos conhecimento fica muito mais fácil realizar ações assertivas e atender as expectativas dessas pessoas. Vale lembrar que o objetivo não é apenas cumprir a lei, mas oferecer uma educação acessível e de qualidade. 

 

2. Trabalhando com as diferentes deficiências
 

Existem diferentes tipos de deficiência e as instituições devem estar prontas para cada uma delas. Seja através da eliminação das barreiras arquitetônicas (físicas) ou barreiras curriculares (pedagógicas), a função principal é possibilitar aos alunos o melhor nível de aproveitamento dentro e fora da sala de aula.

 

Outra questão importante é estudar as possibilidades do uso das tecnologias assistivas, como aplicativos e equipamentos específicos para cada deficiência, proporcionando uma maior autonomia e ampliando as habilidades de cada um. Leitores de tela para pessoas com deficiência visual, aplicativos para surdos que não entendem o português, são bons exemplos. Elas facilidades estão disponíveis e devem ser usadas a favor da educação. 

 

3. Capacitação de profissionais

 

Pensar no treinamento dos funcionários para compreender e tratar com equidade todos que procurem a instituição é o melhor caminho. São eles que compartilharão do dia a dia dessas pessoas e prepará-los para esse cotidiano farão com que entendam melhor o que é inclusão, além de conhecerem os direitos dos alunos e deveres tanto deles como os da escola. 

 

4. Crie uma boa rede de apoio

 

O professor não pode caminhar sozinho! O aprendizado dos alunos é de responsabilidade de todas as pessoas que fazem parte do processo educacional. Nesse sentido, é indispensável uma boa rede de apoio, tanto na escola como fora dela. Contar com os demais integrantes da escola (coordenadores pedagógicos, diretores), profissionais da saúde que trabalham com o aluno e principalmente com a família, torna o desenvolvimento muito mais completo. 

 

5. Apenas comece!

 

Pode parecer difícil e que há muito o que ser feito, mas a o importante é começar. Não tem como sair de um lugar para o outro sem dar o primeiro passo. E essa é a chave! Se você ainda não tinha pensado a respeito, lembre que a mudança só acontece quando tomamos uma atitude. Comece hoje mesmo!

         
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