Conheça a tecnologia chinesa que permite identificar comportamento de alunos

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Em turmas com muitos alunos e aulas com diferentes professores, muitas vezes é difícil perceber como está o comportamento de um aluno na escola. Qual é a média de envolvimento daquele aluno? Ele presta atenção nas aulas? Aqui no Brasil, essas são perguntas complicadas de responder a menos que os professores e coordenadores estejam bem atentos. Já na China, mais especificamente na escola de ensino médio Hangzhou Nº 11, a tecnologia pode responder facilmente essas questões.

 

Na escola que fica ao leste da China, todos os momentos dos alunos são assistidos por 3 câmeras que ficam, dentro das salas de aula, posicionadas acima do quadro negro. Essas câmeras captam imagens para o programa chamado “Sistema de gerenciamento de comportamento de salas de aula inteligentes” (“smart classroom behaviour management system”, em tradução livre).

 

Analisando emoções a cada 30 segundos

 

O sistema analisa as imagens captadas pela câmera em tempo real, identificando comportamentos-chave da sala de aula, como: ficar de pé, escrever, ouvir, levantar a mão e dormir. Com as informações coletadas o sistema também examina se os alunos estão prestando atenção e interagindo ou não, fornecendo um relatório para os responsáveis e também para os professores, que recebem notificações sobre os comportamento dos alunos durante a aula, informação que, se usada corretamente, pode ajudá-los a entender melhor o impacto de suas aulas e identificar o que pode ser melhorado.

 

Além da interação, o sistema que escaneia a sala de aula a cada 30 segundos, consegue reconhecer expressões de raiva, tristeza, surpresa, empolgação e tédio, o que permite também extrair informações sobre o bem-estar do aluno, possibilitando a identificação de padrões de comportamento em casos de bullying e problemas pessoais do aluno.

 

Repercussão

 

Ainda que seja um uso interessante da tecnologia, que poderia ser usado para repensar os métodos de ensino usando estatística e permitindo uma mudança rápida, em tempo real, a solução traz muitas controvérsias devido ao histórico chinês de infrações à privacidade dos residentes no país.

 

Muitos dos alunos da escola afirmam ter medo das câmeras que, apesar de não salvar as imagens analisadas, gera relatórios, em tempo real, para pais e professores com dados que o estudante não tem controle de onde podem ser usados, causando um clima de repressão na escola.

 

Acreditamos bastante na tecnologia como vetor de mudança na educação, sendo uma possibilidade para tornar as aulas mais divertidas e participativas, dar aos alunos um maior protagonismo dentro da escola, acabar com situações desagradáveis como bullying e outras possibilidades de desgaste emocional de alunos e professores. Porém, é muito importante que sempre que uma nova tecnologia seja implementada em uma escola, os alunos, responsáveis e corpo docente sejam consultados sobre ela e, principalmente, que os novos métodos não sejam uma maneira de reprimir nenhum dos atores da rotina escolar, mas sejam sempre uma maneira de melhorar processos e construir juntos uma nova dinâmica de educação.

 

Para entender mais sobre o sistema chinês, confira o vídeo (em inglês): 

 

 

 

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