Malala no Brasil: luta pelo direito à educação e igualdade de gênero.

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Malala Yousafazai, ativista paquistanesa e pessoa mais jovem da história a receber o Nobel da Paz, esteve essa semana em São Paulo para falar em um evento sobre educação.  Sua fala foi inspiradora, deixando todos os presentes emocionados com tamanha coragem e brilho nos olhos para construir um mundo melhor através da educação.

 

Quem é Malala?

Malala nasceu no Vale do Swat, no Paquistão, área dominada por milícias talibãs que impedem as meninas de frequentar a escola. Em 2009, com apenas 11 anos de idade, começou a escrever um blog contando seu cotidiano durante a ocupação talibã e sua luta para poder, junto com outras jovens, ter acesso à educação. Suas palavras começaram a correr o mundo e, em 2010, o New York Times publicou um documentário sobre sua história e Malala começou a ficar conhecida no mundo todo.

 

Em 2012, quando estava no ônibus a caminho da escola, foi alvo de um atentado quando um homem tentou matá-la com três tiros, a mando do talibã. Malala ficou em estado grave e em coma por diversos dias, sendo transferida para Londres. Essa tentativa de assassinato desencadeou um movimento de apoio nacional e internacional pela sua luta. A ONU abriu uma petição com o slogan I am Malala (“Eu sou Malala”), exigindo que todas as crianças do mundo estivessem inscritas em escolas até ao fim de 2015, impulsionando a retificação da primeira lei de direito à educação no Paquistão.

 

Já recuperada, Malala foi capa da revista Times e considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, discursou na sede da ONU, se tornou uma das principais ativistas pela educação – principalmente pelo direito das mulheres à educação – e foi laureada com o Nobel da Paz em 2014, com apenas 17 anos de idade.

 

Visão política e ativismo na luta pela educação

Após o atentado que quase tirou sua vida, Malala fundou, junto com seu pai, o educador Ziauddin Yousafzai, o Malala Fund, organização que luta pela educação de meninas no mundo todo e hoje movimenta mais de 10 milhões de dólares ao ano.

 

Em sua primeira visita ao Brasil, Malala falou da sua trajetória, de política e, principalmente, de ações afirmativas de luta pela educação.

 

“Digo que a melhor maneira de me ‘vingar’ é pela educação. Educar todas as crianças do mundo, inclusive filhos e filhas dos que me atacaram. E de alguma maneira estamos conseguindo isso”.

 

Segundo ela, a crise política e econômica que estamos vivendo no Brasil não pode servir de desculpa nem comprometer os objetivos do Plano Nacional de Educação, pois o acesso ao conhecimento é essencial para o desenvolvimento do país. Em um país onde mais de um milhão de meninas não têm acesso à educação, Malala lembrou que esse é um assunto primordial no debate político e que devemos votar em representantes que lutem por essa causa.

 

“Lembrem os políticos de que o poder está nas mãos de vocês e é o voto. Use esse poder e eleja pessoas que vão representá-lo bem”.

Malala aproveitou a oportunidade para anunciar que três brasileiras passarão a integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países. Essa escolha marca a expansão do projeto que já funciona no Afeganistão, Líbano, Índia, Nigéria, Paquistão e Turquia para a América Latina

 

A Rede Gulmakai atua em três frentes: criação de rede de ativistas e educadores em nível local, ações com autoridades para investimentos e políticas públicas de acesso à educação, e  trabalho direto com meninas em idade escolar, amplificando suas vozes, necessidades e preocupações por meio de assembleias e newsletters.

 

“Espero acordar um dia e ver todas as meninas brasileiras indo para a escola. Isso é possível se trabalharmos juntos”.

 

Conheça as três brasileiras selecionadas:

 

Sylvia Siqueira Campos (Pernambuco): Presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), criado em 1990 para “defender e promover os direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude, a fim de combater as desigualdades, estimular a cidadania ativa e radicalizar a democracia”.

 

Ana Paula Ferreira de Lima (Bahia): Coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), criada em 1979 para “promover e respeitar a autonomia cultural, política e econômica e o direito à autodeterminação dos povos indígenas”.

 

Denise Carreira (São Paulo): Coordenadora adjunta da Ação Educativa, uma organização fundada em 1994 para “promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil”.

 

Nós, da Agenda Edu, ficamos muito felizes com a seleção das três brasileiras e desejamos muito sucesso no desenvolvimento de seus projetos. Sabemos o quanto a luta por uma educação inclusiva e de qualidade é difícil, mas nunca deixamos de acreditar que é um sonho possível que iremos construir juntos! Queremos mais Malalas no mundo para ele se tornar cada vez mais um lugar melhor para se viver. <3

 

Fonte: G1
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil