Somos todos hiperativos?

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Por Yuska Garcia – Psicóloga e Mestra em Educação. 

Nossa convidada e parceira, Yuska Garcia, Psicóloga e Mestra em Educação, levanta questionamentos sobre a hiperatividade, não apenas de alunos, mas de todos os atores do cenário educacional. Um texto para nos fazer refletir sobre o mundo acelerado em que vivemos e como identificar os diversos comportamentos antes de classificar o aluno como hiperativo. Aproveite! 

 

Quanto tempo você consegue ficar concentrado em alguma coisa? Quanto tempo passa em uma atividade sem se distrair e pensar em outra atividade que tens para fazer? Nos dias atuais somos todos tomados por uma pressão por produção, foco e resultado. Entretanto, na contramão deste foco, vivemos em uma sociedade em que as informações estão cada vez mais aceleradas, em que nos vimos precisando, cada vez  mais, de estímulos para que algo nos tome a atenção por mais tempo.

 

Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais), diante deste cenário, surge o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH. Este se classifica entre os transtornos do neurodesenvolvimento, em que o sujeito possui características como desatenção e impulsividade que interferem ou reduzem a qualidade do funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.

 

Ainda dentro deste transtorno, há o TDA, ou DDA, onde o prejuízo está na atenção do sujeito, sem influências na hiperatividade. Diante do exposto, vamos retornar à nossa discussão inicial e pensar: “Seríamos todos hiperativos? Seríamos todos deficientes em manter a atenção? ” Ou será o nosso ritmo de vida que nos leva a tornarmo-nos distraídos, já que, com tantas demandas, são muitas informações ao mesmo tempo para serem processadas? Neste universo, como ficam as crianças e adolescentes?

 

Nos tempos atuais, não há mais tempo a perder, não há mais paciência para esperar o mínimo de tempo que for. Os adultos estão funcionando neste ritmo, então as crianças também já estão nascendo em um universo assim, onde tudo está ao seu dispor, onde um brinquedo já come, fala, dorme e usa fraldas…. Onde está a criatividade neste contexto? Quando uma criança ganha um brinquedo, sua primeira pergunta é: “O que ele faz?”. Dessa forma, como pode estas crianças e adolescentes, conseguirem se concentrar por um longo tempo, conseguirem ler livros, prestarem atenção “somente” à um professor em sua frente?

 

Ao passo que inundamos nossos jovens de estímulos, pedimos que eles consigam produzir, ficando quietos, neste mundo acelerado. Não seria contraditório? Como os educadores podem fazer então para unir estímulos mais atrativos e os conteúdos

que precisam ser ensinados? Não podemos dizer que um jovem que não presta atenção na aula, que não fica sentado, mas que em casa passa duas horas no videogame é hiperativo. Ou podemos? Nossa hiperatividade é seletiva? É preciso refletir! Será que conseguimos?