Dos itinerários formativos do Ensino Médio às novas rampas de acesso

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Com a BNCC a carga horária do Ensino Médio foi dividida em cinco “itinerários formativos” – 1) linguagens e suas tecnologias, 2) matemática e suas tecnologias, 3) ciências da natureza e suas tecnologias, 4) ciências humanas e sociais aplicadas, 5) formação técnica e profissional . As escolas, pela reforma, não são obrigadas a oferecer aos alunos todos eles, mas deverão oferecer ao menos um dos itinerários. Além disso, existem os programas “on-ramps”, que dão acesso a novas oportunidades aos alunos para o mercado de trabalho.

 

Você já deve ter ouvido falar em capital humano e na economia do conhecimento. São termos utilizados para diferenciar a sociedade na qual vivemos daquela baseada nos processos de industrialização e massificação da produção, que teve seu auge no século passado a partir da revolução industrial. Naquela época, a riqueza pertencia àqueles que tinham capital suficiente para construir indústrias e aplicar nos meios de produção.

 

Aos poucos, entretanto, as coisas foram mudando. As inovações foram tornando os meios de produção acessíveis a todos e, com isso, o setor de serviços foi ganhando mais espaço como fator de produção de riqueza. As boas ideias, a criatividade e a capacidade de inovar tornaram- se, a partir daí, a matéria prima de qualquer tipo de negócio.

 

E aí vem a pergunta: Em tese, qual seria o maior provedor dessa matéria prima? As escolas!

 

O ajuste no Ensino Médio

 

Para lidar com essa nova realidade, nos últimos anos os países se viram levados a repensar os seus sistemas educacionais. Por aqui não foi diferente. Para estabelecer bases mais homogêneas, foi lançada a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A reforma do Ensino Médio, outra mudança importante, trouxe a novidade dos itinerários formativos como uma maneira de turbinar as competências individuais dos alunos, dando a eles a oportunidade de fortalecer suas aptidões já nesta etapa da vida acadêmica.

 

Enquanto isso, lá fora uma alternativa ao modelo universitário clássico começa a chamar a atenção. São os chamados programas “on-ramps”, algo como rampas de acesso rápido ao mutante mercado de trabalho.

 

Competências na base do processo

 

Esses programas têm sido considerados como uma boa forma de mobilidade social, pois são focados na aquisição de uma ampla base de competências requeridas pelos segmentos de mercado em desenvolvimento permitindo, portanto, uma entrada mais rápida no mercado de trabalho.

 

O resultado é que nove de cada dez formandos conseguem se colocar em atividades bem remuneradas e com certa estabilidade. Esses programas se concentram em desenvolver um conjunto de habilidades – como pensamento crítico, comunicação e administração do tempo – que é complementado com conteúdos técnicos em áreas como ciberseguridade, atenção à saúde, programação e conhecimentos financeiros.

 

Respondendo à demanda

 

Produtos on-ramps vêm sendo denominados por alguns especialistas de “New U”, uma abreviatura a algo como Novo Sistema Universitário e surgiram como uma resposta do sistema educacional ao mercado. Caracterizam-se por serem mais flexíveis, mais curtos (menos de dois anos) e mais alinhados ao mercado de trabalho.

 

Para uma economia onde a tecnologia é cada vez mais importante para o mercado de trabalho, programas desse tipo podem retirar muita gente da informalidade e do subemprego. Para as instituições educacionais, uma alternativa de “produto” com bom potencial de crescimento e que, portanto, merece ser considerada na composição do seu portfólio, você não acha?

 

Sobre o autor
Marcelo Freitas é mentor em inovação educacional; Especialista em Gestão Estratégica e Capital Humano; CEO em EdTechs, escritor e palestrante.